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O mercado de alimentos Halal: uma saída para a crise

Segurança de Alimentos

O que é o mercado de alimentos Halal? O que o distingue dos demais? Descubra tudo sobre o assunto no nosso artigo!

Você sabia que os muçulmanos são cerca de 30% da população mundial? E que eles são parte de um dos maiores mercados de alimentos e bens de consumo do mundo inteiro?

Os muçulmanos apenas compram produtos Halal e, segundo a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), o Brasil é responsável pelo embarque de 1, 8 milhões de toneladas por ano.

Mas não apenas os muçulmanos consomem produtos Halal. Hoje, esses produtos são sinônimos de qualidade, saúde e preservação de recursos naturais.

Mas o que é um alimento Halal?

HALAL – Lícito, permitido para consumo

Halal sifgnifica “lícito”, “permitido para consumo”.

O alimento é considerado Halal quando obtido de acordo com os preceitos e as normas ditadas pelo Corão e pela Jurisprudência Islâmica.

Esses alimentos não podem conter ingredientes proibidos pelo Islã, em sua totalidade ou parte.

Segundo o Islã, o alimento pode influenciar a alma e o comportamento, além da saúde moral e física do ser humano.

Portanto, é essencial que seja verificada a origem dos produtos que são consumidos e analisar se estão de acordo com as regras religiosas ou não.

De acordo com as exigências das embaixadas dos países islâmicos, o abate Halal deve ser realizado em separado do não-Halal (ou Haram), e deve ser realizado por um muçulmano mentalmente são, conhecedor dos fundamentos do abate de animais no Islã.

São as exigências:

  • Serão abatidos somente animais saudáveis, aprovados pelas autoridades sanitárias e que estejam em perfeitas condições físicas;
  • O sangrador (aquele que abaterá o animal) deve estar consciente ter a intenção de degolar o animal;
  • A frente do animal deve ser direcionada para Meca no momento do abate;
  • O sangrador deve mencionar o nome de Allah enquanto degola dizendo: “Bismillah” (em nome de Deus);
  • Os equipamentos e utensílios utilizados devem ser próprios para o abate Halal. A faca utilizada deve ser bem afiada, para permitir uma sangria única que minimize o sofrimento do animal;
  • O corte deve atingir a traqueia, o esôfago, artérias e a veia jugular, para que o sangue do animal seja escoado e o animal morra sem sofrimento;
  • Inspetores muçulmanos acompanharão todo o abate, uma vez que eles são os responsáveis pela verificação dos procedimentos determinados pela Shariah.

Todo tipo de vegetal é considerado halal, com exceção dos contaminados por pesticidas, dos venenosos ou que produzam efeitos alucinógenos.

Revista Pequenas Empresas, Grandes Negócios

Quais são os alimentos Haram?

A jurisprudência islâmica classifica os alimentos em lícitos (Halal) e ilícitos (Haram).

São alimentos Haram (ilícitos):

  • Sangue;
  • Suínos e cães;
  • Bebidas alcoólicas e drogas;
  • Qualquer animal que não tenha sido abatido através dos métodos considerados aceitáveis pelo Islã;
  • Aves de rapina, como a águia;
  • Frutos do Mar (exceto os vegetais, os peixes com escamas e os camarões);
  • Animais selvagens, tais como o tigre e o leão;
  • Animais antropomórficos, como macaco;
  • Animal Jallal (que se alimenta de impurezas);
  • Répteis, anfíbios e insetos;
  • Urina e fezes de humanos ou animais;
  • Tudo que é impuro ou se contamina através do contato com impurezas;
  • Tudo que for prejudicial à saúde (venenos, produtos químicos nocivos, etc);
  • O que não for habitual para o homem (vidro, ferro, madeira, terra).

No Brasil, as certificadoras são:

  • Federação das Associações Muçulmanas do Brasil (Fambras);
  • Centro de Divulgação do Islam para a América Latina;
  • Cibal Halal (Central Islâmica Brasileira de Alimentos Halal)
  • E o Centro Islâmico do Brasil.

Todas são reconhecidas internacionalmente e são habilitadas para certificar alimentos in natura, processados e industrializados, além de cosméticos e outros produtos, como de higiene e limpeza. 

Dentre tantas certificações possíveis, por que escolher a certificação Halal? Porque o mercado é extremamente promissor. E não estamos falando apenas da Indonésia.

CERTIFICAÇÃO HALAL – UM MERCADO EM EXPANSÃO

Segundo dados do Global Islamic Economic Summit, (GIES) o mercado de alimentos e bebidas Halal movimenta, apenas no Brasil, mais de US$ 1 bilhão.

Se considerarmos que, nesse ano, o total de gastos com comida e bebida foi estimado em US$ 6,7 bilhões, os produtos Halal representaram 16,7% da despesa mundial em 2014.

Assim, esse tipo de produto está rapidamente se transformando em uma importante fonte de investimento, tanto na economia de países islâmicos como na economia global.

O GIES salienta que para receber a certificação Halal, exige-se que os princípios e regras estabelecidos pela Shariah tenham sido observados durante todo o processo da cadeia de abastecimento.

Ou seja, desde a produção até o transporte e distribuição, enfatizando a necessidade de encorajar uma harmonização da padrão Halal, ampliando a oferta de matéria-prima e facilitando a criação de parcerias entre a Organização para a Cooperação Islâmica (Organisation of Islamic Cooperation – OIC) e países não membros.

De acordo com as conclusões do Relatório sobre a Economia Islâmica Global para o período 2015/2016, espera-se que o setor de alimentos e estilo de vida Halal tenha um crescimento de aproximadamente 6% até 2020.

Apenas a demanda por um tratamento ético dos animais corresponde a um mercado de 100 bilhões de dólares.

O relatório foi encomendado e financiado pelo Dubai Islamic Economy Development Centre, em parceria com a Thomson Reuters e em colaboração com a DinarStandard.

ALÉM DA CARNE – INDÚSTRIA GLOBAL ESTIMADA EM US$ 245 BILHÕES 2015

Estimada em US$ 245 bilhões em 2015, a indústria global inclui, além dos itens ligados a alimentos e bebidas, produtos farmacêuticos e cosméticos.

Altamente sofisticada, é uma indústria que busca desenvolver produtos sem itens de origem animal ou que contenham álcool, além de outras exigências do islamismo.

Assim, como analisa o Centro Islâmico do Brasil, o segmento Halal inclui, além dos domínios normalmente relacionados à certificação (produtos alimentícios, proteína animal, produtos farmacêuticos, sanitários, cosméticos e vestuário), serviços financeiros, pacotes turísticos e mídia.

A estimativa publicada no website do Gulfood reforça o prognóstico otimista: o mercado de alimentos e estilo de vida Halal movimentará US$ 3.7 trilhões até 2019.

ALÉM DA RELIGIÃO – A QUESTÃO SANITÁRIA E ÉTICA

Em artigo publicado na revista Time, em 28 de julho de 2015, Alice Park lança a pergunta: seria a carne Halal mais saudável do que a carne convencional?

De acordo com o Muslims in Dietetics and Nutrition, grupo que é membro da Academia de Nutrição e Dietética, o alimento Halal não pode conter carne de porco ou quaisquer outros produtos derivados desse animal ( gelatina e gorduras), além de qualquer tipo de álcool. Rasheed Ahmed, fundador e presidente do Muslim Consumer Group (MCG), diz que, para que um alimento seja considerado genuinamente Halal, é preciso levar em conta como os animais são criados.

A ração utilizada não pode conter nenhum subproduto de origem animal, e nem podem ser tratados com antibióticos ou hormônios de crescimento, já que os hormônios podem conter ingredientes à base de carne de porco. Por esse motivo, alguns argumentam que a carne Halal seria mais saudável do que a carne Haram. Carol O’Neil, que ministra a disciplina Nutrição e Ciência dos Alimentos (Nutrition and Food Science, em tradução livre) na Louisiana State University, diz que seria necessário desenvolver uma pesquisa específica para corroborar esse tipo de afirmação.

O’Neil reconhece, porém, que para algumas pessoas o fato de as práticas Halal proporcionarem um tratamento mais “humano” do animal pode fazer alguma diferença. “A nossa religião não nos permite colocar qualquer pressão sobre os animais”, diz a professora. “Então, nós os tratamos o mais humanamente possível”.

Uma técnica milenar que se preocupa em tratar de forma humana o animal a ser abatido e consumido: curiosamente, está em perfeita consonância com o debate atual sobre a ética na produção e no consumo de alimentos (principalmente os de origem animal), pauta comum à sociedade civil e às instituições científicas.

A Cúpula Global de Economia Islâmica (Global Islamic Economy Summit  – GIES ) é o principal fórum da região a debater e fomentar a economia islâmica. Reúne especialistas de renome internacional em setores críticos da indústria, abrangendo diferentes regiões geográficas e abarcando diferentes culturas. Organizado pela Câmara de Comércio e Indústria de  Dubai e pelo Centro de Desenvolvimento da Economia Islâmica (também de Dubai), tem a Thomson Reuters como um parceiro estratégico. Ver: http://www.giesummit.com/

Em: http://www.arabianbusiness.com/global-halal-food-lifestyle-sectors-grow-6-by-2020-607059.html

Criado em 2013 para desenvolver e promover Dubai como a capital mundial da economia islâmica, o Centro baseia-se nos seguinte sete pilares: finanças, a indústria Halal, turismo family-friendly, infraestrutura digital, arte, conhecimento e normas e certificados islâmicos. Ver: http://www.iedcdubai.ae/

Empresa de pesquisa de estratégia de crescimento e de aconselhamento com sede em Nova York, possui uma rede global de especialistas, cuja atuação alcança 20 diferentes países. Ver: http://www.dinarstandard.com/.

Em: http://www.fambrashalal.com.br/blog_port/2016/07/07/industria-global-de-ingredientes-halal-e-estimada-em-us-245-bilhoes-em-2015/

Maior evento internacional da área de alimentação e hotelaria, teve sua primeira edição há 26 anos.

Em 2016, contou com expositores dos 7 continentes, apresentando milhares de produtos Halal – de bebidas energéticas e alimentos veganos e vegetarianos até carne bovina e de frango, enlatados e opções gourmet. A próxima edição do evento ocorrerá em 2017, de 26 de fevereiro a 2 de março.

Disponível em: http://time.com/3975785/is-halal-meat-healthier-than-conventional-meat/

Academy of Nutrition and Dietetics: fundada em Cleveland, Ohio, em 1917, por um grupo visionário de mulheres dedicado a ajudar o governo conservação de alimentos e melhorar a saúde pública e nutrição durante a Primeira Guerra Mundial, a Academia de Nutrição e Dietética tem hoje mais de 100.000 profissionais credenciados, entre nutricionistas, técnicos em nutrição e dieta e profissionais pós-graduados. Intitula-se a maior organização mundial de profissionais de alimentação e nutrição. Ver: http://www.eatright.org/

[12] Ver por exemplo o curso on-line ofertado pela Ivy League Cornell, “The Ethics of Eating” ou o Global Food Ethics Project.

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